Coisas minhas.

domingo, janeiro 23, 2011

estranho conhecimento (parte lll)

Dois tenebrosos anos de tortura emocional, a luta que se geria entre um coração doce e sentimental e uma cabeça fria e racional.
Sempre fora bastante realista, sempre me regi pela racionalidade e frieza, sempre escutei a voz que vinha da minha profunda mente. Todavia, existia algo naquele sujeito que me tirava do sério, que não me deixava, de maneira alguma, agir como sempre agira. Adorava falar com ele através de pensamentos, a sua astúcia, serenidade, inteligência, versatilidade, sinceridade, o seu péssimo gosto para decorações (prova disso era aquela "cela" sombria) e o seu gigantesco optimismo fascinavam-me, deveras.
A vida é uma passagem e eu sentia-me no auge dela.
Ao longo do tempo apercebi-me que algo não estava devidamente correcto com o indivíduo, a alegria que eu conseguira aos poucos conquistar estava a desvanecer-se. Não percebia porquê, mas entendi que era alguma coisa que me ultrapassava, que eu nada podia fazer contra tal.
Às tantas, e num dia igual a tantos outros. Estava eu sentada no chão duro e congelado, mesmo encostada a uma das paredes incolores a ouvir o palpitante som da chuva, a desejar o rugir dos trovões e o grito do vento (já que sabia que eram as únicas coisas que me faziam acreditar que estava verdadeiramente viva) quando o sujeito me declarou toda a verdade: "Não tenho muito tempo, aliás, neste momento não tenho sequer tempo suficiente para te dizer que o meu tempo esgotou-se."- passei minutos a tentar decifrar a sua fatídica frase, tenho bloqueios de inteligência por vezes-"Fui egoísta e egocêntrico..."- juro que achei que estava a alucinar-"Perdoa-me por tudo o que te fiz passar, mas era a única maneira de prolongar os meus últimos dias. Eras a única razão, a única voz, a única pessoa com a capacidade fantástica de me manter vivo."- continuava sem acreditar no que estava a ouvir, tinha naquele preciso instante um sujeito, todo vestido de branco, descalço e esbelto, em pé, mesmo à minha frente e era o único com o qual conseguia falar através de mensagens inter-cerebrais, e mesmo assim não conseguia acreditar-"Não merecias nada disto, esta prisão à qual te sujeitei foi um sacrífício, tenho a plena noção disso. Estou doente, muito doente, o meu sangue está extremamente franco e cansado, não aguenta muito mais ser bombeado através destas veias, estou realmente muito doente e sem forças para lutar contra esta incurável doença. Optei por vir para aqui, para este cubículo e num acto de magia fechá-lo a sete chaves para só tu poderes chegar até cá"-estava completamente siderada, abismada e estupefacta, não me ocorria nada para lhe dizer. Perdi a noção do tempo, o silêncio não é o representante da ausência mas sim algo que não consegui evitar. Levantei-me e direccionei-me até ele, ao invés de estar quente como um fogareiro em brasa estava uma pedra de mármore, completamente gelada, do género iceberg, devido à doença que o ia matando aos poucos. Toquei-lhe e disse-lhe:"Tinhas que partir agora, não achas que é cedo de mais? Dá-me um abraço, por favor, é a única coisa que te peço neste momento." E ele abraçou-me, como se não houvesse amanhã, encostámo-nos a um dos cantos da sala, deitou-se por fim com a cabeça no meu colo enquanto lhe fazia festas no cabelo.
Suspirou uma última vez, e num gesto de despedida agradeceu todos aqueles momentos, todos aqueles anos, todos aqueles pensamentos, toda a minha loucura, toda a minha ternura e toda a minha a alegria. Agarrou por fim na minha mão e entregou-se por fim, à doença.
Morreu ali, nos meus despidos braços. Morreu ali, de frente para mim. Morreu ali, depois de todos os meus pedidos de mudança, de sonhos e de felicidade. Morreu ali, sem eu saber ao certo quem ele terá mesmo sido.
Chorei, e chorei sinceramente muito. Não esperava que tudo acabasse assim, passaram-me mil e uma coisas pela cabeça sobre como tudo iria acabar. Mas juro que nada fazia adivinhar que seria assim. Num gesto de magia o cubículo desapareceu, e veio dar lugar a uma floresta verdejante, o sol brilhava e tudo era incrivelmente belo. Porém não consegui deixá-lo, fiz uma escolha.
Deixei tudo para trás, a natureza, a realidade, a esperança. Nada mais que ele, naquele momento, importava. Pedi, gritei e implorei pelo cubículo, pelas paredes sombrias, pelo chão gélido. E deixei-me ficar ali, agarrada ao seu corpo, imóvel e sem qualquer traço de racionalidade.

3 comentários:

Teresa disse...

tens de adicionar o a mini aplicaçao "html java sript" e por lá um codigo :)

o problema é que isto nao me esta a deixar colar o codigo aqui :/

Liv. disse...

brilhantes são os teus :')

Luana Proni . disse...

Olá, tem selinho para você

http://luanaproni.blogspot.com/2011/01/selinhos.html

beeeijos .