Coisas minhas.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Fui criada nos padrões católicos: missas todos os domingos, novenas e procissões. Quando era pequena sabia rezar de traz para frente o pai nosso, a ave-maria, salve-rainha e o santo-anjo, mas não fazia a mínima ideia do que aquelas palavras significavam.
Para mim, Deus era um homem velho, barbudo, de cabelos brancos e que passava o dia inteiro a observar as pessoas e a castigar-lhes. Em casa se não fosse uma boa filha: Papai do Céu castigaria; na escola, se me comportasse mal: Papai do Céu castigaria; na missa, se não prestasse atenção e não rezasse: Papai do Céu castigaria. Então, resolvi entregar todo o meu medo para Deus. E como poderia ser diferente? Se tudo aquilo que eu conhecia e que enfatizavam era o castigo. Por isso, eu tinha pavor de Deus.
Até que um belo dia entrei em contato com o pó-mágico-de-pirlimpimpim da história e filosofia; descobri pouco a pouco a hipocrisia que carregava tudo aquilo que eu pensava acreditar. Como a Igreja Católica pode ser livre de todo e qualquer preconceito se, em pleno século XXI mulher ainda não realiza missa? Por que Deus fica feliz com as promessas se, maior parte delas, nos castigam e nos fazem sofrer? Ele não deveria querer uma troca boa, como uma mudança de atitude, ou mais uma mão estendida ao próximo? Ou ele ia querer mesmo ver a gente sofrer? Ele não é Pai? Será mesmo que ele prefere uma oração enorme como um rosário, ou será que ele dá mais valor a uma conversa, a voz do coração? Por que padre/freira não podem casar, se o que Deus quer é a constituição de uma família unida, e o matrimônio não impede isto? Como pode ser bom uma reunião de pessoas em que só uma fala, em que só um diz a forma como interpreta a Bíblia? Todos estes e outros questionamentos fizeram com que minhas ideias virassem de cabeça para baixo; deparando-me com tantas dúvidas, hipocrisia e prepotência desacreditei em tudo que eu acreditava e que eu me forçava a acreditar.
Deixei de crer em Deus e mandei minha fé passear? Muito pelo contrário. Eu passei a crer mais ainda em um ser divino, superior; mas ele mudou. Não é mais aquele mesmo Papai do Céu de antes. Nesse novo Deus eu não vejo barba, não vejo cabelos brancos, na verdade, eu nem vejo feição alguma. Esse novo Deus, ele não tem função exclusiva de "castigador", esse novo Deus é uma espécie de terapeuta; ele escuta tudo aquilo que a gente quer dizer, Ele escuta a gente falar dos nossos planos, das nossas dores, das nossas insatisfações, do nosso sentimento de gratidão; mas ele não nos diz o que fazer, trabalha com um tal procedimento chamado Livre Arbítrio, ele deixa a gente fazer o que considera melhor e continua só a escutar, não nos castiga ou muito menos nos condena por isso, deixa com que arquemos com as consequencias das nossas escolhas; e depois de mudada a opinião, Ele sempre acolhe, sempre torna a escutar e apoiar, qualquer que seja a decisão. O Deus que eu conheci ele não distingue ninguém por sexo ou cor, qualquer um (inclusive mulher) pode falar Dele. O Deus que eu creio não é melhor que o Deus que você crê, inclusive, eu acho que Ele é o mesmíssimo.

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